Tudo que é imaginário existe, é e tem, nos alumiou Estamira. Imaginários Benzedeiros: leituras [re]encantadas é um projeto de pesquisa em torno das vozes, falas e memórias de mulheres que benzem, rezam e vendem ervas no subúrbio do Rio de Janeiro. São inúmeros símbolos e códigos que tomam vida nas vozes e falas dessas três mulheres que se relacionam e ritualizam o benzimento. O ato de benzer e rezar imbuído de muita representação das resistências e das potências poética-políticas. Em trânsito, essas mulheres feminilizam seus territórios de estar, ser e resistir.

Pri Abebé

Rezadeira, filósofa e moradora da Penha

Penha

Tem 57 anos, nascida em Imbariê, trabalha vendendo ervas na feira da Penha há mais de vinte anos

Iyalorisá Edelzuita

Sacerdotisa comemorando 80 anos de cargo e 81 de devoção aos Deuses

“acho que a Vó me traz coragem para continuar. Certeza de que esse é um caminho de memória que a gente precisa manter e ensinar para não se perder.Porque é uma tecnologia ancestral. Mas o Rezo em si, a coragem é a Vovó que me traz.”

Pri Abebé

“Minha mãe era rezadeira, ela curava muitas pessoas, entendeu, ela rezava espinhela virada, quebrante tudo, era boa rezadeira minha mãe, só que eu não herdei isso dela não, trabalho com ervas.”

Penha

“Quando eu cheguei aqui no Rio, rezava muito. Muito. Olhado, quebrante, erisipela, espinhela caída de criança. Ainda rezo, entendeu? Pessoas adultas também estão com a espinhela caída, eu tiro a medida. Aí se a espinhela está caída, eu rezo. Aí erisipela dá na perna. Fica vermelha. Dor de cabeça. Doío.”

Iyalorisá Edelzuita